24 junho 2010

A fé é uma riqueza

Se você pensa que tendo fé em Deus está fazendo um favor a Deus, você está enganado. A fé lhe dá força instantaneamente. A fé traz estabilidade, firmeza emocional, calma e amor. Tendo fé num Guru ou em Deus, não muda nada para esse Guru ou esse Deus. Ter fé isso lhe dá força imediata. A fé é uma grande riqueza; é uma benção. Se lhe falta fé, você deve rezar para ter fé, mas para rezar você precisa ter fé. É um paradoxo.

As pessoas têm fé no mundo, mas o mundo é só uma bolha de sabão. As pessoas têm fé nelas mesmas, mas elas não sabem quem elas são. As pessoas pensam que têm fé em Deus – mas elas não possuem nenhuma compreensão de Deus. Se você quer duvidar você tem que duvidar de tudo.

Existem 3 tipos de fé:

  • Fé em si mesmo, fé no mundo e fé em Deus. Você precisa ter fé em si mesmo – sem fé, você pensa, "eu não posso fazer isso. Isso não é para mim. Eu nunca vou me libertar nessa vida."
  • Você deve ter fé no mundo. Sem isso, você não é capaz de dar um passo no mundo. Os bancos fornecem empréstimos tendo fé de que você vai pagar de volta. Você deposita dinheiro no banco tendo fé de que ele será devolvido. Se você duvidar de tudo no mundo, nada vai acontecer.
  • O mesmo acontece no caso de se ter fé no divino – tenha fé no divino e você vai evoluir. Todos esses tipos de fé estão conectados. Você de ter os três para cada um ser forte.

Bill: Ateístas possuem fé neles mesmo, fé no mundo, mas não em Deus.

Sri Sri: Eles não possuem plena fé neles mesmos. Falta de fé em Deus, no mundo ou no próprio ser traz o medo. A fé no mundo não pode ser constante porque sempre existem mudanças.

A fé torna você completo – fiel. Se você possuir fé, você é completo.

Rajesh: Qual é a diferença entre fé e confianças?

Sri Sri: Confiança é o resultado. Fé é o começo.

A fé em si mesmo traz a liberdade. A fé no mundo traz a paz para a mente. A fé em Deus evoca o Amor em você. Você pode estar em paz tendo fé no mundo e não tendo fé em Deus. Mas isso não é uma paz completa. Se você tem amor, então automaticamente existe paz e liberdade.

Pessoas que são extremamente perturbadas deveriam ter fé em Deus.

Sri Sri Ravi Shankar

10 junho 2010

A gaveta da identidade


Hoje, pela manhã, exatamente como um raio de sol, você entrou em meu quarto. Seu "olá" teve o som de uma sinfonia imortal para os meus ouvidos.
Esperei que você se aproximasse de mim, porque minhas pernas já não são tão firmes e tenho dificuldades para me manter em pé.
Você ficou à distância. Reclamou do cheiro de mofo e abriu amplamente a janela. Fiquei feliz porque sempre dependo de que alguém chegue e faça isso por mim.
Amo os dias de sol. Eles me recordam os dias felizes em que a memória não me traía tanto e eu podia me sentir útil, realizando pequenas tarefas no lar.
Com a voz fraca, tentei conversar. Mas acho que você deve estar com muitos problemas, porque traz a face enrugada e parece muito contrariado. Suas respostas foram curtas e secas e resolvi me calar, respeitando as suas preocupações.
Foi aí que você abriu a minha gaveta, aquela pequena da minha cômoda. "Quanto lixo!", foi o que você disse.
Meu coração começou a saltar. Você estava mexendo no meu tesouro. Alegrei-me porque agora, pensei, poderia lhe falar do significado de cada uma daquelas pequenas jóias.
A foto amarelada de seu avô e eu. Foi tirada durante nossa lua de mel. É em preto e branco. Mas eu recordo que o cravo na lapela do seu avô era vermelho e o meu vestido era estampado com flores miúdas coloridas.
"Mas, o que você está fazendo? Não revire deste jeito as coisas da gaveta. Você poderá amassar a fita azul que eu usava nos meus longos cabelos. Ou então o papel de bombom que está aí. São tantas preciosidades.
Não, não é lixo! É minha vida. Não jogue fora."
Como não tenho com quem trocar idéias, nem quem me ajude a relembrar os dias vividos, que teimam em escapar da memória, sirvo-me dessas coisas antigas para avivar as recordações.
Elas são o diário da minha vida. A flor seca me foi dada por sua mãe, em criança, num feliz dia do meu aniversário. Ela perdeu o viço, o perfume mas encerra lembranças dos dias venturosos em que aguardava as crianças virem da escola, esperava meu eterno noivo retornar da fábrica.
Você estabelece o horário para eu comer, dormir, acordar. Não posso ter vontades, nem desejos atendidos.
Os meus sonhos, as minhas melhores realizações estão encerradas nesta gaveta. Os objetos que guardo me ajudam a lembrar que eu existo.
Não jogue fora minha identidade. Ela é feita de todas essas pequenas coisas que você chama de lixo e eu chamo "Meu tesouro."
* * *
Aprendamos a ver nos olhos da criança a mensagem da esperança e nos cabelos brancos a lição da experiência. Não nos esqueçamos que os que hoje vivem a velhice, foram homens e mulheres que deram o seu valioso contributo ao Mundo. Foram eles que nos geraram, permitindo-nos a vida na Terra. Foram eles que nos educaram. Foram eles que prepararam as bases para que pudéssemos desfrutar na atualidade esse mundo de conforto, de tantas e proveitosas oportunidades. Tratemos muito bem os nossos idosos, hoje, enquanto estão conosco. Amanhã, poderá ser tarde demais.
Redação do Momento Espírita. (Em 27.12.2007)

---> É verdade... e eu ja temo o amanhã...

02 junho 2010

A grave problemática da corrupção

Conforme o dicionário, corrupção é adulterar, corromper, estragar, viciar-se. Nos dias em que vivemos, muito se tem falado a respeito da corrupção. E, quase sempre, direcionando as setas para os poderes públicos. Pensamos que corrupção esteja intimamente ligada aos que exercem o poder público. Ledo engano. Está de tal forma disseminada entre nós, que, com certeza, muito poucos nela não estejamos enquadrados. Vejamos alguns exemplos:

Quando produzimos algo com qualificação inferior, para auferir maiores lucros, e vendemos como de qualidade superior, estamos sendo corruptos. Quando adquirimos uma propriedade e, ao procedermos a escrituração, adulteramos o valor, a fim de pagar menos impostos, estamos disseminando corrupção. Ao burlarmos o fisco, não pedindo ou não emitindo nota fiscal, estamos nos permitindo a corrupção.

Isso tem sido comum, não é mesmo? É como se houvesse, entre todos, um contrato secretamente assinado no sentido de eu faço, todos fazem e ninguém conta para ninguém. Com a desculpa de protegermos pessoas que poderão vir a perder seus empregos, não denunciamos atos lesivos a organizações que desejam ser sérias. Atos como o do funcionário que se oferece para fazer, em seus dias de folga, o mesmo serviço, a preço menor, do que aquele que a empresa a que está vinculado estabelece. Ou daquele que orienta o cliente, no próprio balcão, entregando cartões de visita, a buscar produto de melhor qualidade e melhor preço, segundo ele, em loja de seu parente ou conhecido. Esquece que tem seu salário pago pelos donos da empresa para quem deveria estar trabalhando, de verdade. Desviando clientes, está desviando a finalidade da sua atividade, configurando corrupção. Corrupção é sermos pagos para trabalhar oito horas e chegarmos atrasados, ou sairmos antes, pedindo que colegas passem o nosso cartão pelo relógio eletrônico. É conseguir atestados falsos, de profissionais igualmente corruptos, para justificar nossa ausência do local de trabalho, em dias que antecedem feriados. Desvio de finalidade: deveríamos estar trabalhando, mas vamos viajar ou passear. É promovermos a quebra ou avaria de algum equipamento na empresa, a fim de termos algumas horas de folga. É mentirmos perante as autoridades, desejando favorecer a uns e outros em processos litigiosos. Naturalmente, para ser agradáveis a ditos amigos que, dizem, quando precisarmos, farão o mesmo por nós. Corrupção é aplaudir nosso filho que nos apresenta notas altas nas matérias, mesmo sabendo que ele as adquiriu à custa de desavergonhada cola. E que dizer dos que nos oferecemos para fazer prova no lugar do outro? Ou realizar toda a pesquisa que a ele caberia fazer? Sério, não?

Assim, a partir de agora, passemos a examinar com mais vagar tudo que fazemos. Mesmo porque, nossos filhos têm os olhos postos sobre nós e nossos exemplos sempre falarão mais alto do que nossas palavras. Desejamos, acaso, que a situação que vivemos em nosso país tenha prosseguimento? Ou almejamos uma nação forte, unida pelo bem, disposta a trabalhar para progredir, crescer em intelecto e moralidade? Em nossas mãos, repousa a decisão.

Se desejarmos, podemos iniciar a poda da corrupção hoje mesmo, agora. E se acreditamos que somente um de nós fazendo, tudo continuará igual, não é verdade. Os exemplos arrastam. Se começarmos a campanha da honestidade, da integridade, logo mais os corruptos sentirão vergonha. Receberão admoestações e punições, em vez de aplausos. E, convenhamos, se não houver quem aceite a corrupção, ela morrerá por si mesma.

Pensemos nisso. E não percamos tempo.

Equipe de Redação do Momento Espírita. 30.09.2006