28 abril 2010

A Crítica

Convidada a fazer uma preleção sobre a crítica, a conferencista compareceu ante o auditório superlotado, carregando pequeno fardo.

Após cumprimentar os presentes, retirou os livros e a jarra de água de sobre a mesa, deixando somente a toalha branca. Em silêncio, acendeu poderosa lâmpada, enfeitou a mesa com dezenas de pérolas que trouxera no embrulho e com várias dúzias de flores frescas e perfumadas. Logo após, apanhou na sacola diversos enfeites de expressiva beleza, e enfileirou-os com graça. Em seguida, colocou sobre a mesa um exemplar do Novo Testamento em capa dourada. Depois, diante do assombro de todos, depositou em meio aos demais objetos pequenina lagartixa, num frasco de vidro.

Só então se dirigiu ao público perguntando:

O que é que os senhores estão vendo?

E a assembléia respondeu, em vozes discordantes:

Um bicho! Um lagarto horrível! Uma larva! Um pequeno monstro!

Esgotados breves momentos de expectação, a expositora considerou:

Assim é o espírito da crítica destrutiva, meus amigos! (eu me enquadro aqui...)

Os senhores não enxergaram o forro de seda alva, que recobre a mesa. Não viram as flores, nem sentiram o seu perfume. Não perceberam as pérolas, nem as outras preciosidades. Não atentaram para o Novo Testamento, nem para a luz faiscante que acendi no início. Mas não passou despercebida, aos olhos da maioria, a diminuta lagartixa...

E, sorridente, concluiu sua exposição esclarecendo:

Nada mais tenho a dizer...

* * *

Quantas vezes não nos temos feito cegos para as coisas e situações valorosas da vida. Acostumados a ver somente os fatos que denigrem a sociedade humana, volvemos o olhar para os detritos morais das criaturas. Assim, criticamos a mídia por enfatizar as misérias humanas, os desvalores, as fofocas e as intrigas, mas, em verdade, isso tudo só vem a lume porque ainda nos comprazem. Em última análise, é o que vende! Não há espaço para uma mensagem edificante, e os que teimam em veicular coisas e situações nobres, o fazem sob o peso de enormes dificuldades. É imperioso atentarmos para os nossos valores ou desvalores, antes de levantarmos a voz para criticar a sociedade e os meios de comunicação em geral. É importante observarmos os nossos interesses pessoais antes de gritarmos contra os governantes, sem esquecer que eles só ocupam os cargos depois de eleitos por nós. Enfim, é relevante atentarmos para os que buscam divulgar o bem e o belo e candidatarmo-nos a engrossar essas fileiras. Assim, com a exaltação do bem, em detrimento do mal, com a evidência da paz, em vez da guerra, com a elevação do perfume sobre os odores fétidos, a sociedade logrará sobrepujar as misérias, evidenciando as belezas e os atos de essência superior, e encontrada será a felicidade perene.

Redação do Momento Espírita,
com base no cap. 7 do livro Bem-aventurados os Simples,
pelo Espírito Valerium, psicografia de Waldo Vieira, ed. Feb.

19 abril 2010

NÂO ESTRAGUE O SEU DIA (Nem o meu!)

A sua irritação não solucionará problema algum.

As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.

Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.

O seu mau humor não modifica a vida.

A sua dor não impedirá que o Sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus.

A sua tristeza não iluminará os caminhos.

O seu desanimo não edificará a ninguém.

As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade.

As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.

Não estrague o seu dia. Aprenda com a Sabedoria Divina, a desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre para o Infinito Bem.

André Luiz (Espírito)
Por Chico Xavier.

Eu acho que eu deveria ler e reler isso todos os meus dias, pela manhã, tarde e noite... Desculpar infinitamente? rs é até engraçado isso. Ainda não cheguei nesse ponto e não se chegarei nem tão cedo. Penso sempre no meu perfil do Orkut que cita partes do livro As Dores da Alma em que fala sobre as escolhas erradas que fazemos. Nós escolhemos errado e ainda culpamos os outros, quando na verdade a culpa da escolha é nossa... então realmente devemos desculpar o outro pois o engano foi nosso. Aff!

É como pegar uma cabeça qualquer e afogar na privada pra ver se acorda.

13 abril 2010

Apenas um lembrete...


Lembre-se que você é um espírito imortal vivendo breve experiência num corpo físico.
Lembre-se que o seu corpo é feito de matéria e, como tal, sofre o desgaste natural como tudo o que é matéria, mas esse desgaste não atinge o espírito imortal.
Assim, quando você perceber que a sua pele está enrugando, Lembre-se que esse é um fenômeno que não alcança o espírito.
Enquanto a sua pele enruga, seu espírito pode ficar ainda mais radiante e mais iluminado.
Você não pode deter os segundos nem evitar que se transformem em anos.
Não pode impedir que o seu cabelo caia ou se torne branco, mas isso não é motivo para levar a vitalidade da sua alma imortal.
Sua esperança jamais poderá estar atrelada a sua forma física, pois o ser pensante que você é, é o mais importante e sobreviverá por toda a eternidade.
Sua força e sua vitalidade independem da sua idade.
Seu espírito é o agente capaz de espanar a poeira do tempo.
Lembre-se que você não é um corpo que tem um espírito, é um espírito temporariamente vivendo num corpo físico.
Chegará um dia em que você se deparará com uma linha de chegada, e perceberá que logo à frente há outra linha de partida...

A vida é feita de idas e vindas... Partidas e chegadas.
Um dia você terá que abandonar esse corpo, mas Lembre-se que jamais abandonará a vida...
Lembre-se que cada dia é uma oportunidade de viver, e viver bem.
Se acontecer de cometer um engano, não detenha o passo, siga em frente que logo adiante encontrará outro desafio...
A vida é feita de desafios... Vencemos uns, somos vencidos por outros, mas não podemos deter o passo.
E o maior de todos os desafios é vencer-se a si mesmo, usando a razão para não de deixar dominar por vícios e prazeres excessivos e prejudiciais.
Importante é não perder tempo vivendo de lembranças amargas e fotografias pela metade, amarelas e empoeiradas...
O dia mais importante é o dia de hoje... E hoje você tem a oportunidade de reescrever a sua história... Conhecer novas paisagens... Colecionar imagens de cores vivas.
Lembre-se sempre que você é um espírito feito de luz, e a luz sempre pode suplantar as trevas... Por mais densas que sejam.

O importante é que jamais detenha o passo...
Se as forças físicas não lhe permitem mais correr, como antes, ande depressa.
Se algo lhe impedir de andar depressa, caminhe lentamente, mas siga em frente.
E, se, por algum motivo não puder mais caminhar sem apoio, use bengalas, muletas, cadeira de rodas, mas vá em frente...
E se um dia você não puder mais movimentar seu corpo para continuar andando, voe com o pensamento.
Seu pensamento nada e nem ninguém poderá deter.

Você é livre para pensar, para aprender, para alcançar os céus em busca de esperança e paz.
O essencial é que você não pare nunca...
Deus não criou você para a derrota. Deus criou você para a vitória, para a felicidade plena. E essa conquista é parte que lhe cabe.
Este é apenas um lembrete, pois um dia um sublime alguém já nos disse tudo isso e nós esquecemos.
Esquecemos que ele saiu do corpo mas jamais saiu da vida...
O Seu suave convite ainda paira no ar: "quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo, e siga-me."
Esquecemos que ele afirmou com convicção e firmeza: "nenhuma das ovelhas que o pai me confiou se perderá".
Eu sou uma de suas ovelhas e você também é. Não importa a que religião você pertença. Não importa a que religião eu pertença.
Somos as ovelhas que o Criador confiou ao Sublime Pastor da Galiléia, para que Ele nos ensine o caminho que nos levará ao Pai.

Este é apenas um lembrete... Que você pode até desconsiderar...
Mas, uma coisa é certa: você não deixará de existir, como espírito imortal que é, e não evitará os percalços e as lições da caminhada, porque você, você é filho de Deus...

Pense nisso!
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

08 abril 2010

A CONTA DA VIDA

Quando Levindo completou vinte e um anos, a Mãezinha recebeu-lhe os amigos, festejou a data e solenizou o acontecimento com grande alegria.

No íntimo, no entanto, a bondosa senhora estava triste, preocupada.

O filho, até a maioridade, não tolerava qualquer disciplina. Vivia ociosamente, desperdiçando o tempo e negando-se ao trabalho. Aprendera as primeiras letras, a preço de muita dedicação materna, e lutava contra todos os planos de ação digna.

Recusava bons conselhos e inclinava-se, francamente, para o desfiladeiro do vício.

Nessa noite, todavia, a abnegada Mãe orou, mais fervorosa, suplicando a Jesus o encaminhasse à elevação moral. Confiou-o ao Céu, com lágrimas, convencida de que o Mestre Divino lhe ampararia a vida jovem.

As orações da devotada criatura foram ouvidas, no Alto, porque Levindo, logo depois de arrebatado pelas asas do sono, sonhou que era procurado por um mensageiro espiritual, a exibir largo documento na mão.

Intrigado, o rapaz perguntou-lhe a que devia a surpresa de semelhante visita.

O emissário fitou nele os grandes olhos e respondeu:

- Meu amigo, venho trazer-te a conta dos seres sacrificados, até agora, em teu proveito.

Enquanto o moço arregalava os olhos de assombro, o mensageiro prosseguia:

- Até hoje, para sustentar-te a existência, morreram, aproximadamente, 2.000 aves, 10 bovinos, 50 suínos, 20 carneiros e 3.000 peixes diversos. Nada menos de 60.000 vidas do reino vegetal foram consumidas pela tua , relacionando as do arroz, do milho, do feijão, do trigo, das várias raízes e legumes. Em média calculada, bebeste 3.000 litros de leite, gastaste 7.000 ovos e comeste 10.000 frutas. Tens explorado fartamente as famílias de seres do ar e das águas, de galinheiros e estábulos pocilgas e redis. O preço dos teus dias nas hortas e pomares vale por uma devastação. Além disto, não relacionamos ai os sacrifícios maternos, os recursos e doações de teu pai, os obséquios dos amigos e as atenções de vários benfeitores que te rodeiam. Em troca, que fizeste de útil? Não restituíste ainda à Natureza a mínima parcela de teu débito imenso. Acreditas, porventura, que o centro do mundo repousa em tuas necessidades individuais e que viverás sem conta nos domínios da Criação? Produze algo de bom, marcando a tua passagem pela Terra. Lembra-te de que a própria erva se encontra em serviço divino. Não permitas que a ociosidade te paralise o coração e desfigure o espírito!...

O moço, espantado, passou a ver o desfile dos animais que havia devorado e, sob forte espanto, acordou...

Amanhecera.

O Sol de ouro como que cantava em toda parte um hino glorioso ao trabalho pacífico.

Levindo escapou da cama, correu até à genitora e exclamou:

- Mãezinha, arranje-me serviço! Arranje-me serviço!...

- Oh! meu filho - disse a senhora num transporte de júbilo -, que alegria! Como estou contente!... Que aconteceu?

E o rapaz, preocupado, informou:

- Nesta noite passada, eu vi a conta da vida.

Daí em diante, converteu-se Levindo num homem honrado e útil.

(Extraído do Livro - Idéias e Ilustrações - Francisco Candido Xavier - Neio Lúcio)