12 janeiro 2009

Victor Hugo

Quando morreu, no século XIX, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes em seu cortejo fúnebre, em plena Paris. Lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação.

O genial literato deixou textos inéditos que, por sua vontade, somente foram publicados após a sua morte.

Um deles fala exatamente do homem e da imortalidade e se traduz mais ou menos nas seguintes palavras:

"A morte não é o fim de tudo.
Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.
Na morte o homem acaba, e a alma começa.

Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?

Eu sou uma alma.
Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.
O que constitui o meu eu, irá além.

O homem é um prisioneiro.
O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra.
Coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.

Aí, olha, distingue ao longe a campina,
Aspira o ar livre, vê a luz.

Assim é o homem.
O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?

De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo.

É por demais pesado para esta terra.
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.

Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
O mundo luminoso é o mundo invisível.
O mundo do luminoso é o que não vemos.

A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.

A morte é uma mudança de vestimenta.

Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.

A morte é uma continuação.
Para além das sombras, estende-se o brilho da eternidade.

As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz.
Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.

O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito”.

(Victor Hugo)

Muitos consideram que o falecimento de uma pessoa amada é verdadeira desgraça, quando, em verdade, morrer não é finar-se nem consumir-se, mas libertar-se. Assim, diante dos que partiram na direção da morte, assuma o compromisso de preparar-se para o reencontro com eles na vida espiritual.

Prossegue em sua jornada na Terra sem adiar as realizações superiores que lhe competem. Pois elas serão valiosas, quando você fizer a grande viagem, rumo à madrugada clarificadora da eternidade. Que Deus nos ilumine hoje e sempre!

07 janeiro 2009

Jornal de janeiro

Mais um jornalzinho a disposição de quem quiser ou puder baixar.

Beijo a todos!

http://www.4shared.com/file/79399268/632e6a30/jornal_2009-01.html

06 janeiro 2009

As parábolas e sua interpretação.

AS PARÁBOLAS E A SUA INTERPRETAÇÃO



Na acepção geral do termo, parabola é uma narrativa que tem por fim transmitir verdades indispensáveis de serem compreendidas.


As Parabolas dos Evangelhos são alegorias que contém preceitos de moral.


O emprego contínuo, que durante o seu minist�rio Jesus fez das par�bolas, tinha por fim esclarecer melhor seus ensinos, mediante compara��es do que pretendia dizer com o que ocorre na vida comum e com os interesses terrenos. Sugeria, assim, o Mestre, figuras e quadros das ocorr�ncias cotidianas, para facilitar mais aos seus disc�pulos, por esse m�todo comparativo, a compreens�o das coisas espirituais.


Aos que o ouviam ansiosamente, procurando compreender seus discursos, a par�bola tornava-se-lhes excelente meio elucidativo dos temas e das disserta��es do Grande Pregador.

Mas os que n�o buscavam na par�bola a figura que compara, a alegoria que representa a id�ia espiritual, e se prendiam � forma, desprezando o fundo, para estes a Doutrina nem sequer aparecia, mas conservava-se oculta, como a noz dentro da casca.


Da� a resposta de Jesus aos disc�pulos que lhe inquiriram a raz�o de Ele falar por par�bolas: �Porque a v�s � dado conhecer os mist�rios do Reino dos C�us, mas a eles n�o lhes � isso dado. Pois ao que tem, dar-se-lhe-� e ter� em abund�ncia; mas ao que n�o tem; at� aquilo que tem ser-lhe-� tirado.�


�Por isso lhes falo por par�bolas, porque vendo n�o v�em; e ouvindo n�o ouvem, nem entendem. E neles se est� cumprindo a profecia de Isa�as, que diz: Certamente ouvireis, e de nenhum modo entendereis. Porque o cora��o deste povo se fez pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, e eles fecharam os olhos; para n�o suceder que vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos, entendam no cora��o e se convertam e eu os cure.�


Pelo trecho se observa claramente que os fariseus e a maioria dos judeus, em ouvindo a exposi��o da par�bola, s� viam a figura aleg�rica que lhes era mostrada, assim como, quem n�o quebra a noz, s� lhe v� a casca.


Ao passo que com seus disc�pulos n�o acontecia a mesma coisa; eles viam e ouviam o ensino, o sentido espiritual que permanece para sempre; n�o se prendiam � figura ou a palavra sonora, que se extingue desvanece.

De modo que os fariseus ouviam, mas n�o ouviam; viam, mas n�o viam; porque uma coisa � ver e ouvir com os olhos e ouvidos do corpo, outra coisa � ver e ouvir com os olhos e ouvidos do Esp�rito.


A condi��o que Jesus exp�e, como sendo indispens�vel �para nos ser dado e possuirmos em abund�ncia� � como diz o texto, de �n�s termos� � Mas �termos� o qu�? Certamente algum princ�pio doutrin�rio unido � boa vontade para recebermos a Verdade � �Aquele que tem ser-lhe-� dado e ter� em abund�ncia.�


E o obst�culo � recep��o da sua Doutrina � o indiv�duo �n�o ter� � n�o ter a mais ligeira inicia��o espiritual e n�o ter boa vontade para receber a Nova da Salva��o.


De modo que a Par�bola Evang�lica � uma instru��o aleg�rica, exposta sempre com um fim moral, como um meio f�cil de fazer compreender uma li��o espiritual, pelo menos, a opini�o do evangelista Mateus quando diz: �Todas estas coisas falou Jesus ao povo em par�bolas, e nada lhes falava sem par�bolas; para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Abrirei em Par�bolas a minha boca, e publicarei coisas escondidas desde a cria��o.� (Mateus, XIII, 34-35).


Finalmente, as Par�bolas t�m pouca import�ncia para os que as tomam como foram escritas; demais, o sentido nunca deve ser desnaturado ou transviado, sob pena de prejudicar a Id�ia Crist�. Por exemplo, ao que v� na par�bola do �tesouro escondido� um meio de enriquecer materialmente, ou na par�bola do �administrador infiel� uma li��o de infidelidade, lhe ser� prefer�vel fechar os Evangelhos e continuar a tratar de seus neg�cios materiais.


A intelig�ncia dos Evangelhos explica perfeitamente a interpreta��o espiritual que Jesus d� aos seus ensinos. Se os Evangelhos fossem um amontoado de alegorias sem significa��o espiritual, nenhum valor teriam.
(Cairbar Schutel, do livro: Parábolas e Ensinos de Jesus)