30 janeiro 2008

DEVER E FANTASIAS

Em sua busca pela felicidade, o homem não raro embrenha-se em caminhos tortuosos.
É freqüente a confusão entre ser feliz e realizar fantasias. Para a criatura irrefletida pode parecer necessário que todos os seus sonhos se concretizem, para que ela se considere plena.
Ocorre ser a felicidade, sob esse enfoque, uma utopia de impossível efetivação.
O ser humano é ilimitado em seus devaneios e fantasias.
Realizado um projeto, surge logo outro, mais ambicioso.
Se é a falta da casa própria que infelicita, após sua aquisição, com freqüência, deseja-se outra maior.
Ao desejo de possuir automóvel em bom estado, sucede o anelo de adquirir um carro do ano.
Quem tem casa e carro, por vezes almeja viajar ou garantir a faculdade dos filhos.
Idêntico fenômeno dá-se nos mais variados quadrantes da existência.
É o desejo de notabilizar-se na carreira, freqüentar o melhor clube da cidade, possuir roupas luxuosas ou jóias.
Muitos desses desideratos são legítimos, mas sempre surge algo novo a ser buscado e nem tudo que se deseja acontece.
Se for necessário realizar todos os sonhos para o homem se sentir pleno, a frustração será sua constante companheira.
Por outro lado, ao desavisado pode parecer que tudo é legítimo para alcançar suas metas.
Talvez toda dificuldade seja considerada uma desgraça, um obstáculo a ser removido a qualquer preço.
Se o casamento não vai bem, pode parecer melhor terminá-lo de vez, para encontrar outra pessoa que seja 'perfeita'.
O familiar doente ou de difícil convívio quiçá se afigure alguém a ser evitado a todo custo, sob o falso pretexto de preservar a própria paz.
Ora, a infantilidade e a superficialidade desse modo de viver são por demais óbvias.
O progresso é uma das leis da vida, e o homem é sempre chamado a burilar-se, aperfeiçoar-se, tornar-se melhor e mais forte.
As dificuldades têm a finalidade de ajudar a desabrochar o anjo que em todos reside, mediante o exercício das virtudes cristãs.
Felicidade não é sinônimo de cofres cheios, vaidades satisfeitas, absoluta ausência de problemas e desafios.
O Cristo, modelo e guia da humanidade, afirmou que oferecia sua paz, mas que a cada qual seria dado conforme suas obras.
Também disse que quem quisesse deveria tomar sua cruz e segui-Lo.
Os obstáculos, os desejos não realizados, as limitações têm o objetivo de sensibilizar-nos para a beleza da mensagem do Cristo.
Eles nos auxiliam a valorizar o que é eterno, em detrimento do transitório.
A conquistar, mediante o abandono das ilusões, a tão sonhada paz: o tesouro colocado onde ninguém pode roubar.
Felicidade, pois, não é ter tudo o que se quer, mas estar em harmonia com a própria consciência e com as leis divinas.
Entre concretizar uma fantasia e atender as próprias obrigações, o homem sensato não pode titubear.
Se um sonho demandar, para realizar-se, violação de nobres compromissos assumidos, ou não se amoldar a uma consciência tranqüila, é melhor desistir dele, por mais sedutor que seja.
Consciência pesada é algo inconciliável com a plena realização do ser.
Não há felicidade sem paz e não há paz sem deveres rigorosamente cumpridos.
Pensemos nisso!
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.
http://casa.momento.com.br/

27 janeiro 2008

Quem tem medo da morte

Por sugestão da Igreja Católica, no Brasil, em tempos passados, ficou determinado o 2 de novembro como o dia de reverenciar os mortos, por decreto das autoridades nacionais, que oficializaram o evento, tornando-o feriado.

Dia de Finados... De Finados? Não! De espíritos, vivos, tanto quanto nós, que se desposaram do invólucro carnal e adentraram em outra dimensão, a espiritual. Assim, a doutrina espírita transforma completamente a perspectiva ante o porvir. A vida futura deixa de ser uma mera hipótese para se transformar em realidade, palpável, vívida.

O estado das almas depois da morte não é mais um simples sistema teórico, mas o resultado da observação de que a vida continua e que continuamos a ser exatamente aquilo que éramos enquanto vivos.

A experimentação científica, por sua vez, fundada nos fenômenos espíritas, se repete a cada sessão mediúnica, em que os ex-mortos vêm declinar suas considerações, atestando sua condição de imortalidade.

Eles vêem, sentem, vivem... Conforme o modo de encarar a vida - enquanto estavam na Terra, seus gostos e crenças - será seu despertar na espiritualidade. Por isso, a grande dificuldade de alguns espíritos em aceitar a realidade, ao encontrar um estado de coisas completamente diferente daquele cenário pintado pela maioria das religiões e filosofias morais de todos os tempos.

Assim, ergue-se o véu: o mundo espiritual - segundo a idéia espiritista - aparece-nos na plenitude de sua realidade prática. Não foram os homens da ciência materialista que o descobriram; tampouco os escritores imaginaram sua constituição, em livros de ficção científica; foram os próprios habitantes deste mundo que vieram nos descrever sua situação: eles ocupam diferentes graus de evolução na escala espiritual, desfilam suas peripécias e seus feitos além- túmulo, suas fases de felicidade e de desgraça.

O ensino dos espíritos nos dirige à serenidade e à tranqüilidade para se encarar a morte como um fenômeno de transformação... Da crisálida que rompe o casulo e alça seus primeiros vôos, a esperança se transforma em certeza: a vida futura é a continuação da atual, certamente em melhores condições, caso nos esforcemos para tal. Essa a lógica espírita, fundada na justiça e na bondade de Deus, correspondendo às legítimas aspirações da humanidade terrena.

O Dia de Finados é, então, o dia dos vivos que, pela mediunidade, estão próximos de nós, numa realidade transcendente à qual todos pertencemos.

Publicado no Jornal "A Notícia", de Joinville (SC), em 1 nov. 2007.

(*) Marcelo Henrique Pereira, Mestre em Ciência Jurídica, Presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina e Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana para a Grande Florianópolis (SC)

08 janeiro 2008

Reverenciando Kardec


Antes de Kardec, embora não nos faltasse a crença em Jesus, vivíamos na Terra atribulados por flagelos da mente, quais os que expomos:


· o combate recíproco e incessante entre os discípulos do Evangelho;
· o cárcere das interpretações literais;
· o espírito de seita;
· a intransigência delituosa;
· a obsessão sem remédio;
· o anátema nas áreas da filosofia e da ciência;
· o cativeiro aos rituais;
· a dependência quase absoluta dos templos de pedra para as tarefas da edificação íntima;
· a preocupação de hegemonia religiosa;
· a tirania do medo, ante as sombrias perspectivas do além-túmulo;
· o pavor da morte, por suposto fim da vida.

Depois de Kardec, porém, com a fé raciocinada nos ensinamentos de Jesus, o mundo encontra no Espiritismo Evangélico benefícios incalculáveis, como sejam:

· a libertação das consciências;
· a luz para o caminho espiritual;
· a dignificação do serviço ao próximo;
· o discernimento;
· o livre acesso ao estudo da lei de causa e efeito, com a reencarnação explicando as origens do sofrimento e as desigualdades sociais;
· o esclarecimento da mediunidade e a cura dos processos obsessivos;
· a certeza da vida após a morte;
· o intercâmbio com os entes queridos domiciliados no Além;
· a seara da esperança;
· o clima da verdadeira compreensão humana;
· o lar da fraternidade entre todas as criaturas;
· a escola do Conhecimento Superior, desvendando as trilhas da evolução e a multiplicidade das “moradas” nos domínios do Universo.

Jesus – o amor.
Kardec – o raciocínio.
Jesus – o Mestre.
Kardec – o Apóstolo.

Seguir o Cristo de Deus, com a luz que Allan Kardec acende em nossos corações, é a norma renovadora que nos fará alcançar a sublimação do próprio espírito, em louvor da Vida Maior.

(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 24/1/1969, em Uberaba.)

Fonte: Reformador de abril de 1979

06 janeiro 2008

Parábola do Tesouro Escondido

“O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro que, oculto no campo, foi achado e escondido por um homem, o qual, movido de gozo, foi vender tudo que possuía e comprou aquele campo.” (Mateus, XIII, 44.)
O homem tem resumido a sua tarefa na Terra a procurar “tesouros”, a achar tesouros, a esconder tesouros, a vender o que possui para comprar campos que tenham tesouros.

Assim tem acontecido, assim está acontecendo.

Para que trabalha o homem, na Terra? Para que estuda? Para que luta, a ponto de matar o seu semelhante?

Para possuir tesouros!

Jesus, sabendo dos artifícios que o homem emprega na conquista dos tesouros,
fez do “tesouro escondido” uma parábola, comparando-o ao Reino dos Céus; fê-lo, naturalmente, para que os que recebessem esses conhecimentos, também empregassem todo o seu talento, todos os seus esforços, todo o seu trabalho, toda a sua atividade, todos os seus sacrifícios, na conquista desse outro “tesouro”, ao qual ele chamou imperecível, lembrando que “a traça e a ferrugem não o corrompem, e os ladrões não o roubam”.

O Reino dos Céus é um tesouro oculto ao mundo, porque os grandes, os nobres, os guias e os chefes de seitas religiosas não querem fazê-lo aparecer à Humanidade.

Mas, graças à Revelação, aos Ensinos Espíritas, aos Espíritos do Senhor, hoje é muito fácil ao homem achar esse tesouro. Mais difícil lhe pode ser, “vender o que tem e comprar o campo”, isto é, desembaraçar-se das suas velhas crenças, do egoísmo, do preconceito, do amor aos bens terrestres, para possuir os bens celestes.

Materializado como está, o homem prefere sempre os bens aparentes e perecíveis, porque os considera positivos; os bens reais e imperecíveis ele os julga abstratos.

A Parábola do Tesouro Escondido é significativa e digna de meditação: o homem terreno morre e fica sem seus bens; o homem espiritual permanece para a Vida Eterna e o tesouro do céu, que ele adquiriu é de sua posse permanente.

Quem foi Meimei


Seu nome de batismo, aqui na terra, foi Irmã Castro. Nasceu a 22 de Outubro de 1922, em Mateus Leme (Minas Gerais). Aos dois anos de idade sua família transferiu-se para Itaúna (Minas Gerais). Com 5 anos ficou orfã de pai.

Meimei foi desde criança diferente de todos pela sua beleza física e inteligência invulgar. Era alegre, comunicativa, espirituosa, espontânea. O convívio com ela, em família, foi para todos uma dádiva do Céu. Cursou com facilidade o curso primário.

Matriculando-se, depois, na Escola Normal de Itaú; porém, a moléstia que sempre a perseguia desde pequena - nefrite - manifestou-se mais uma vez quando cursava com brilhantismo o segundo ano Normal. Sendo a primeira aluna da classe, teve que abandonar os estudos. Mas, muito inteligente e ávida de conhecimentos, foi apurando sua cultura através da boa leitura, fonte de burilamento do seu espírito. Onde quer que aparecesse era alvo de admiração de todos.

Irradiava beleza e encantamento, atraindo a atenção de quem a conhece. Ela, no entanto, modesta, não se orgulhava dos dotes que Deus lhe dera. Profundamente caridosa, aproximava-se dos humildes com a esmola que podia oferecer ou uma palavra de carinho e estímulo. Pura, no seu modo simples de ser e proceder não era dada a conquistas próprias da sua idade, apesar de ser extremamente bela. Pertencia a digna sociedade de Itaú.

Algum tempo depois, transferiu-se para Belo Horizonte, em companhia de uma das irmãs, Alaíde, a fim de arranjar colocação. Estava num período bom de saúde, pois a moléstia de que era portadora, ia e vinha, dando-lhe até, às vezes, a esperança de que havia se curado. Foi nessa época que conheceu Arnaldo Rocha com quem se casou aos 22 janeiros de idade. Viviam um lindo sonho de amor que durou 2 anos apenas, quando adoeceu novamente. Esteve acamada 3 meses, vítima da pertinaz doença. Apesar de todos os esforços e desvelos do esposo, cercada de médicos, veio a falecer no dia 1 Outubro de 1946, em Belo Horizonte.

Logo depois, seu espírito já esclarecido começou a manifestar-se através de mensagens psicografadas por Francisco Cândido Xavier, que prossegue nessa linda missão de esclarecimento e consolo, em páginas organizadas em várias obras mediúnicas, que têm se espalhado por todo o Brasil e até além das fronteiras.

Seu nome "Meimei", agora tão venerado como o de um "Espírito de Luz", foi-lhe dado em vida, carinhosamente, pelo esposo Arnaldo Rocha.

Meimei - expressão chinesa que significa "Amor Puro".