26 agosto 2007

A benção do perdão

Uma nuvem espessa pairava sobre a alma daquela mãe sofrida...
O seu jovem filho, criado com amor e desvelo, fora assassinadopor um amigo dominado pelas drogas.
O desespero e a amargura eram suas companhias permanentes.
Os olhos fundos e a palidez denunciavam as noites de insônia e afalta de alimentação.
Uma amiga a convidou, talvez inspirada pela providência divina,a buscar ajuda do orador e médium espírita de extrema seriedade e profundadedicação ao bem, Divaldo Pereira Franco.
Era início da noite na cidade de salvador, quando as duassenhoras adentraram a casa espírita singela, onde o médium atende aquelesque o procuram em busca de consolo e esperança. Divaldo percebeu que se tratava de um caso grave e atendeuaquela mãe prontamente, com grande ternura.
Aos poucos a senhora ia contando o drama ocorrido, falando queum amigo do filho o havia alvejado por motivos banais, de ligeirodesentendimento entre ambos.
Enquanto a genitora narrava o seu drama, aproxima-se do médium abenfeitora espiritual Joanna de Ângelis, trazendo o jovem assassinado, aindaconvalescente, e diz a Divaldo para transmitir à mãe sofrida, algumaspalavras do filho.
Naquele momento o filho, tomando emprestada a aparelhagemfonadora do médium, fala à mãezinha palavras de conforto.
Disse para que não cometesse o suicídio, como estavapretendendo, pois esse crime a afastaria ainda mais dele, e por mais tempo.
Pediu à mãe que se lembrasse da mãe do amigo que cometera ocrime e agora estava detido pelas grades da justiça humana, numa cadeia,entre criminosos comuns.
Aquela mãe, sim, era muito infeliz, pois seu filho é overdadeiro desgraçado e não ele, que agora estava sob o amparo de amigosespirituais atenciosos e fraternos.
Ao ouvir a voz inconfundível do filho querido, que julgava terdesaparecido para sempre, a mulher abraça com ternura o médium, por cujaboca se podiam ouvir as palavras amáveis e lúcidas do jovem assassinado.
Sob a inspiração da benfeitora do além, Divaldo aconselha amulher a considerar o estado de alma da outra mãe, da mãe do assassino, epensar na possibilidade do perdão.
Na semana seguinte, quando o médium baiano se preparava paraatender aqueles que o buscavam na singeleza da casa espírita, vê adentrarema sala duas senhoras, pálidas e de aspecto sofrido.
Uma ele já conhecia, a outra lhe era estranha.
Quando chegou a vez de atendê-las, a mulher que estivera ali nasemana anterior lhe apresentou a companheira, dizendo ser a mãe do amigo doseu filho.
O médium entendeu que ela havia seguido os conselhos alirecebidos e buscava ajudar aquela mãe mais infeliz que ela própria.
Conversaram por longo tempo.
Ao se despedir das duas senhoras, Divaldo percebeu que um raiode luz penetrava suavemente aquelas almas doloridas.
A luz do perdão se fazia bênção de paz e gerava serena harmonianaqueles corações dilacerados pela dor da separação dos filhos bem-amados,embora por motivos diversos.
Na medida em que o tempo ia passando, as duas mães encontrarammotivos para voltar a sorrir, e juntas visitavam o jovem no cárcere.
Fundaram uma casa de recuperação de toxicômanos para ajudaroutros tantos jovens a se libertar das cadeias infelizes das drogas.

***

O perdão é uma das mais belas provas de confiança nas soberanasleis de Deus.
Quem perdoa sabe que deus é justiça e, por isso mesmo, suas leisjamais se enganam. Perdoar é receber com resignação os fatos que não se pode evitarou mudar, com a certeza de que a justiça divina não se equivoca e nadaacontece conosco se o criador não permitir.

Equipe de Redação do Momento Espírita,
com base em história narrada por
Divaldo Franco na cidade de Videira-SC,
no dia 22/09/03.

21 agosto 2007

A Família

Você já parou algum dia para pensar como funciona uma colméia? Já se deu conta de que nela tudo é ordem, disciplina, preocupação pelo todo?

A colméia é formada por células de cera, que se contam aos milhares. Em algumas dessas células existem ovos ou larvas de abelha. Outras servem como depósitos de pólen e de mel. Essas são os favos de mel.

Numa colméia podem existir até 70 mil abelhas, que exercem diferentes funções.

As operárias são as que alimentam as larvas, cuidam da colméia, trazem comida para todos os habitantes da comunidade. Elas começam como faxineiras, limpando as células onde estão os ovos. Depois produzem a geléia real que serve para alimentar as abelhas mais jovens e a rainha. Também trabalham como babás alimentando as abelhinhas mais crescidas com pólen e mel.

Com dez dias de vida elas se tornam construtoras. Começam a produzir cera, que lhes permite construir e remendar as células da colméia.

A rainha tem como tarefa botar ovos, dos quais sairão as operárias, os zangões e as novas rainhas. No verão chega a botar em um só dia 1.500 ovos.

O zangão, desde que nasce, tem por tarefa a procriação com a rainha. Depois morre.

Tudo na colméia reflete ordem, equilíbrio.

As operárias são também as que saem da colméia para buscar a matéria prima de que necessitam. Estranhamente, elas nunca se enganam no caminho de volta para casa, para onde retornam com sua preciosa carga.

Embora sua vida seja curta, de cinco semanas apenas, elas não se cansam de trabalhar, sem cansaço, pelo bem-estar de toda a equipe.

Podemos pensar na família como uma colméia racional. Cada um tem sua tarefa a cumprir, visando o crescimento da pequena coletividade, como exige o lar.

E todos são importantes no desempenho do grupo doméstico.

É no seio da família, na intimidade do lar, que se vão descobrir operárias incansáveis, trabalhando sem cessar, não se importando consigo mesmas. Em constante processo de doação.

É na família que se aprende a transformar o fel das dificuldades, as amarguras das incompreensões no mel das atenções e do entendimento.

É ali que se exercita a cooperação. Afinal, como a família é uma comunidade, há necessidade de ajuda mútua.

Quando a família enfrenta as dificuldades com união, cresce e supera problemas considerados insolúveis.

Para que a família progrida no todo, cada um deve se conscientizar de sua tarefa e realizá-la com alegria.

É por este motivo que as crianças devem ser incentivadas, desde cedo, a pequenas tarefas no lar.

Retirar os pratos da mesa, lavar a louça, aquecer a mamadeira do menorzinho.

Renúncia a um pequeno lazer para satisfazer o outro. Nem que seja somente a satisfação da companhia ou de um diálogo amistoso.

Se na colméia familiar reinar o amor, conseguiremos com certeza ter elementos para uma atuação segura, verdadeiramente cristã, junto à família maior, na imensa colméia do mundo.
* * *
A família é abençoada escola de educação moral e espiritual. É oficina santificante onde se burilam caracteres. É laboratório superior em que se refinam ideais.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na revista Mini-monstros, editora Globo, Nº 19964 e no livro Rosângela, cap. A colméia, Editora Fráter livros Espíritas.

20 agosto 2007

Depois


Depois de ouvir a palestra esclarecedora, cultive-a junto dos companheiros ausentes.
Ensinamento ouvido, riqueza de aprendizado.
Depois da notícia edificante, transmita-a sem demora aos irmãos carentes de estímulo.
Ânimo levantado, rendimento em serviço.
Depois de ler a publicação doutrinária, passe-a adiante, clareando outras consciências.
Palavra escrita, idéia gravada.
Depois de entender as frases do livro edificante, imprima-a no próprio verbo.
Estudo assimilado, conversação enobrecida.
Depois de reconhecer o próprio erro, conserve a experiência, divulgando-a no instante oportuno.
Queda de alguém, apelo a muitos.
Depois de observar o acontecimento digno de atenção, saliente o aviso que ficou.
Fato proveitoso, lição da vida.
Depois de substituir o objeto usado por outro novo, conduza-o a mãos em maiores necessidades.
Traste velho na frente, auxílio na retaguarda.
Depois de um dia, de uma tarefa, de uma crise, de uma enfermidade, de uma viagem ou de um encontro, algo se modifica em nosso espírito, para melhor, e devemos ofertar aos outros o melhor ao nosso alcance, sem deixar qualquer auxílio para depois.


André Luiz
(Do livro "Estude e Viva", 36, Francisco C. Xavier e Waldo Vieira, FEB)


07 agosto 2007

Não Julgues teu Irmão


Amigo,

Examina o trabalho que desempenhas.

Analisa a própria conduta.

Observa os atos que te definem.

Vigia as palavras que proferes.

Aprimora os pensamentos que emites.

Pondera as responsabilidades que recebeste.

Aperfeiçoa os próprios sentimentos.

Relaciona as faltas em que, porventura, incorreste.

Arrola os pontos fracos da própria personalidade.

Inventaria os débitos em que te inseriste.

Sê o investigador de ti mesmo, o defensor do próprio coração, o guarda de tua mente.

Mas, se não deténs contigo a função do juiz, chamado à cura das chagas sociais, não julgues o irmão do caminho, porque não existem dois problemas, absolutamente iguais, e cada espírito possui um campo de manifestações particulares.

Cada criatura tem o seu drama, a sua aflição, a sua dificuldade e a sua dor...

Antes de julgar, busca entender o próximo e compadece-te, para que a tua palavra seja uma luz de fraternidade no incentivo do bem.

E, acima de tudo, lembra-te de que amanhã, outros olhos pousarão sobre ti, assim como agora a tua visão se demora sobre os outros.

Então, serás julgado pelos teus julgamentos e medido, segundo as medidas que aplicas aos que te seguem.

André Luiz(Do livro "Comandos do Amor", FCXavier)