29 julho 2007

Riqueza intocada



Tudo sofre na Terra implacável mudança,
Pólo a pólo, alma a alma, em ritmo profundo,
Mês a mês, dia a dia e segundo a segundo,
A vida se refaz, aprimora-se e avança.


Reflete no museu onde a História descansa.
Bronzes, troféus, brasões, em repouso infecundo,
Mostram que a pompa humana é cinza para o mundo
Ontem, púrpura e sol; hoje, trapo e lembrança...

Força, fama, ilusão, graça, beleza e glória
Caem da ostentação da senda transitória
Nos arquivos do tempo – o eterno sábio mudo!...

Uma riqueza só permanece intocada,
A riqueza do bem que esparziste na estrada,
Luz a esperar-te além da alteração de tudo.



Dario Veloso
Fonte: XAVIER, Francisco C. Poetas redivivos.

Diversos Espíritos. 3. ed. Rio de Janeiro:
FEB, 1994. Cap. 27, p. 52.