28 abril 2007

No apostolado feminino


O apostolado das Mães é o serviço silencioso com o Céu, em que apenas a Sabedoria Divina pode ajuizar com exatidão. Ser mãe é ser anjo na carne, heroína desconhecida, oculta à multidão, mas identificada pelas mãos de Deus. Ele conhece o holocausto das mães sofredoras e desoladas e sustenta- lhes o ânimo através de processos maravilhosos de sua sabedoria infinita, assim como alimenta a seiva recôndita das árvores benfeitoras. Um instituto doméstico, em muitos casos, é cadinho purificador.



Aí dentro, as opiniões fervilham na contenda inútil das palavras, sem edificações úteis; velhos ódios surgem à tona das discussões e sentimentos, que deveriam permanecer esquecidos para sempre, aparecem à superfície das situações, embora muitas vezes imanifestos nos entendimentos verbais.



O que nos interessa, porém, é a nossa redenção. O sacrifício é a nossa abençoada oportunidade de iluminação. Sabemos, no entanto, que para o carinho maternal, o combate é intraduzível. Na batalha sem sangue no coração. No espinheiro ignorado. Na dor que os olhos não visitam. O devotamento feminino será sempre o manancial do conforto e da bênção. Quando se interrompe o curso dessa fonte divina, ainda mesmo temporariamente, a vida do lar sofre ameaças cruéis. (...)



Para os que se confundem na enganosa claridade dos dias terrenos, a existência carnal é somente recurso a incentivar paixões e alegrias mentirosas, todavia, para quantos fixem o problema da eternidade, com a crença renovadora no altar do espírito, a romagem planetária é divino aprendizado para a redenção. O lar terreno é a antecâmara do Lar Divino, quando lhe aproveitamos as bênçãos do trabalho santificante, porque, na realidade, se o martelo e o buril são os elementos que aprimoram a pedra, a dor e o serviço são as forças que nos aperfeiçoam a alma.



Trabalhar e sofrer são talvez os maiores bens que nossa alma pode recolher nos pedregulhos da Terra. (...) O Tesouro Divino não se empobrece e, para Deus, os filhos mais ricos são aqueles que canalizaram os recursos do serviço a bem de todos, sem cristalizarem a fortuna amoedada nos cofres de ferro, que, às vezes, cedo se convertem nos fantasmas de angústia além do sepulcro.
Aqui, entendemos, com clareza mais ampla, o caminho da eternidade. Mais vale semear rosas entre espinhos para a colheita do futuro, que nos inebriarmos no presente, com as rosas efêmeras dos enganos terrestres, preparando a seara de espinhos na direção do porvir. Não percamos o dia para que o tempo não nos desconheça. A dificuldade é nossa bênção.
Amemos, trabalhando nas sombras de hoje, a fim de que possamos penetrar em companhia do Amor, na divina luz do Amanhã.


(Agar — Fonte: Francisco Cândido Xavier, Mãe – Antologia Mediúnica.)